A política de descentralização da saúde e suas interfaces escalares

Ana Rocha Santos, Alexandrina Luz Conceição

Resumo


A preocupação central deste artigo é analisar a política de descentralização da saúde que criou o SUS e com ele, uma redistribuição de poder político, fortalecendo o município para operacionalização da política de saúde. Parte-se de uma leitura escalar como recurso metodológico para explicação da realidade com o propósito de compreender que, embora haja uma valorização da instância local para o desenvolvimento local, a escala global é definidora das políticas públicas pensadas para o município. Através do método dialético e da pesquisa qualitativa, os sujeitos sociais foram ouvidos e suas falas interpretadas. A análise da política de descentralização da saúde considerou a redefinição do papel do Estado no contexto da mundialização do capital que pratica novo ordenamento territorial, centrado no município, chamado para dar respostas à crise financeira, fiscal e melhorar a capacidade de gestão do Estado. A pesquisa desenvolvida em Sergipe constatou que a política de descentralização da saúde mascara a apropriação privada dos serviços e ações de saúde no âmbito local/nacional/global através de uma rede seletiva e excludente. Para isso concorre o tratamento patrimonial da coisa pública que alimenta a cultura do favor e desencadeia disputas políticas descomprometidas com o atendimento das necessidades de saúde da população.


Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2016 Scientia Plena

Licença Creative Commons
Todo conteúdo deste periódico, salvo quando explicitado de forma diferente, está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.