65 anos depois: Diversidade e composição florística de uma floresta ribeirinha reflorestada por meio do plantio de espécies exóticas

Bruno Almozara Aranha, Maurício Romero Gorenstein, Silvana Cristina Pereira Muniz de Souza, João Luis Ferreira Batista

Resumo


Se, por um lado, a utilização de espécies exóticas pode dificultar a recuperação de ecossistemas naturais, por outro, diversos estudos realizados nas últimas décadas demonstram o contrário, sugerindo que tais plantios podem catalisar a regeneração natural em seu subosque e, consequentemente, favorecer o processo de recuperação. Neste estudo, caracterizamos a riqueza, a diversidade e a composição funcional da comunidade arbórea resultante da regeneração natural sob um plantio de exóticas realizado há 65 anos em 0,95 ha de zona ripária (Piracicaba, SP) e comparamos a composição florística da área de estudo com remanescentes naturais na mesma região ecológica. Registramos 602 ind ha-1 (411 ind ha-1 nativos, 148 ind ha-1 exóticos e 43 ind ha-1 mortos), pertencentes a 76 espécies (61 nativas e 15 exóticas). As espécies exóticas corresponderam a 26% dos indivíduos. Predominaram dentre as nativas, espécies zoocóricas (48%), secundárias (60%) e tolerantes à sombra (94%). Dentre o total de espécies, 11,5% apresentaram algum grau de ameaça de extinção. A diversidade para as espécies nativas foi de H’ = 3,3. A área reflorestada esteve dentro dos padrões encontrados para vegetações semelhantes em bom estado de conservação, a similaridade florística variou de 0,31 a 0,18. Alguns elementos florísticos estiveram ausentes e a riqueza de espécies foi menor do que o esperado. As espécies exóticas ainda ocupam um espaço importante na comunidade, entretanto não impediram o estabelecimento de um grande número de espécies nativas provenientes do entorno. As espécies exóticas plantadas atuaram como facilitadoras da regeneração natural, catalizando o processo de recuperação da biodiversidade original do local.


Palavras-chave


Floresta Estacional Semidecidual, espécies invasoras, restauração ecológica.

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DOI: https://doi.org/10.14808/sci.plena.2018.082401

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