Febre maculosa: Uma análise epidemiológica dos registros do sistema de vigilância do Brasil

Priscilla Martins Rafael Barros-Silva, Simone Valéria Costa Pereira, Lidsy Ximenes Fonseca, Fernanda Voietta Pinna Maniglia, Stefan Vilges de Oliveira, Eduardo Pacheco de Caldas

Resumo


A febre maculosa (FM) é uma doença infecciosa, aguda, transmitida por carrapatos, cuja apresentação clínica pode variar desde quadros clínicos clássicos a formas atípicas, sem exantema, principal sinal da doença. A baixa suspeição clínica e retardo no tratamento são alguns dos fatores determinantes das elevadas taxas de letalidade da doença, mesmo em áreas endêmicas, e por este motivo é agravo de notificação obrigatória pelos serviços de saúde.  O presente estudo descreve perfil epidemiológico da FM no período de 2007 a 2012, a partir dos registros do Sistema Nacional de Agravos de Notificação. No período estudado foram notificados 9644 casos da FM em 10 Unidades da Federação, São Paulo (44,14%; 324/734), Santa Catarina (24,52%; 180/734), Minas Gerais (8,7%; 64/734), Rio de Janeiro (6,5%; 48/734), Espírito Santo (2,6%; 19/734), Paraná (1,63%; 12/734), Rio Grande do Sul (0,7%; 5/734), Bahia (0,54%; 4/734), Goiás (0,4%; 3/734) e no Ceará (0,27%; 2/734), com confirmação de 7,6% (734/9644), preferencialmente pelo critério laboratorial 90,8% (667/734). O coeficiente de letalidade médio para o período foi de 28,9%, as maiores incidências da doença foram nos estados de Santa Catarina 0,49, São Paulo 0,13 e Espírito Santo 0,09 e as maiores letalidades em São Paulo (44,14%), Minas Gerais (39,1%) e Rio de Janeiro (31,3%). Quanto à sazonalidade foram observados casos em todos os meses do ano, com maior frequência no mês de outubro. Os casos foram mais frequentes em homens 68,4% (502/734). As infecções ocorreram principalmente na zona rural 42,5% (312/734) em frequentadores de ambientes de florestas, matas, rios ou cachoeiras, que se expuseram a carrapatos 79,4% (583/734). A grande maioria dos pacientes necessitou de hospitalização 59,4% (436/734) e os tempos médios expressos em número de dias entre a variável início dos sintomas e as variáveis hospitalização, cura ou óbito foram respectivamente 5, 14, 13.  Os dados apresentado neste estudo poderão subsidiar as capacitações técnicas que necessitam estar voltadas para o reconhecimento da circulação do agente, oportunidade no diagnóstico e tratamento e qualidade da informação, estes fatores prioritários para o fortalecimento dos programas de vigilância epidemiológica da FM.


Palavras-chave


riquetsiose, epidemiologia, sistema de informação

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